sexta-feira, 29 de março de 2013

BRICS. A NOVA REVOLUÇÃO MUNDIAL



(HD) -  Começou ontem, e se encerra hoje, em Durban, na República Sul-Africana, a quinta Cúpula Presidencial dos BRICS - aliança que une o Brasil à Rússia, Índia, China e África do Sul.

Durante o encontro, como estava previsto, se realiza um fórum, sob o tema  “BRICS e África - Associação para a Cooperação, Integração, Industrialização e Desenvolvimento”, com a participação dos líderes, convidados, de 20 países do continente.

De acordo com a imprensa sulafricana, já foi aprovada pelos chefes de Estado, e será destaque na Declaração Conjunta que será divulgada hoje, a criação de um Banco de Desenvolvimento para os BRICS, nos moldes do Banco Mundial, com capital inicial de 50 bilhões de dólares; um acordo de swap no valor de 100 bilhões de dólares, para empréstimo conjunto de recursos em caso de crise, nos moldes do que faz o FMI; e uma troca de moedas  entre o Brasil e a China, por três anos, em  valor equivalente a 30 bilhões de dólares por ano. A providencia garantirá o comércio de mercadorias, bens e serviços em moeda local, para ficar a salvo de eventuais flutuações da moeda norte-americana.
China e o Brasil são, hoje, respectivamente, o primeiro e o terceiro credor individual externo dos EUA. Os países BRICS detêm, em conjunto, 4,5 trilhões de dólares em reservas internacionais, ou 40% do total do mundo.

 Com a criação do seu próprio banco de fomento, eles estão dizendo ao ocidente que se cansaram de esperar por reformas no Banco Mundial e no FMI, que lhes dessem poder equivalente nessas instituições, conforme o peso de seus recursos financeiros, sua população, seus  territórios, mercados, recursos naturais, e  dimensão geopolítica.

 Como ocorreu com o G-8, que se tornou uma sombra do que era antes, após a criação do G-20 - com a decisiva participação do Brasil - o FMI e o Banco Mundial poderão  minguar sua já decrescente importância na nova ordem multipolar no mundo do século XXI.
 Findou o tempo em que os países mais pobres tinham de ir aos EUA mendigar recursos para infraestrutura ou enfrentar crises geradas, como a atual, nas entranhas do descontrolado ultra- capitalismo.

A partir de agora, eles terão outros interlocutores a procurar, em Brasília, Moscou, Nova Delhi, Pequim ou Pretoria, e não apenas em Washington, Londres ou Berlim.
O Brasil, com a soja resistente à seca da Embrapa, a mais produtiva cana de açúcar  e o melhor gado tropical do mundo, suas construtoras e seus programas de combate à miséria e à fome, aliado à China, com seus gigantescos recursos financeiros, e aos russos e indianos, pode mudar, em poucas décadas, o futuro da população africana.

Basta que, para isso, não cometamos os mesmos erros e os mesmos crimes do arrogante colonialismo ocidental, o mesmo que, depois de tantos séculos de espoliação e violência, acabou por nos reunir no BRICS.

quarta-feira, 27 de março de 2013

'Verdade que a Globo queria que você assinasse um papel que impediria você de falar sobre ela?'


PAULO NOGUEIRA
Diário do Centro do Mundo

“Quando você vai publicar o livro?”, me pergunta no almoço uma amiga jornalista.

Ela está se referindo a “Minha Tribo: o Jornalismo e os Jornalistas”, o relato de minhas experiências em redações desde que entrei numa delas, em 1980.

“Se tudo der certo, no final do ano”, respondo. “Vou ao Brasil em junho e pretendo conversar com algumas editoras.”

“Tem que ser uma editora grande”, ela me diz.

“Não acho”, digo. “Tem que ser uma editora corajosa. Que não tenha medo de se indispor com a Globo. Não é fácil.”

Sei como raciocinam as editoras de livro convencionais. A possibilidade de que a Globo deixe de dar resenhas de seus livros por publicar o meu é algo que vai apavorá-las.

“Você tem medo de processo?”, ela me pergunta.

“Não inventei nada. Não criei um único fato. Sou um jornalista sério. Responsabilíssimo. Coisas mais picantes estão documentadas.”

“Por exemplo?”

“A demissão do Juan Ocerin entre o Natal e o Ano Novo pelo Jorge Nóbrega. O Juan foi para o Rio achando que tinha que mexer alguma coisa no planejamento do ano seguinte e acabou voltando sem emprego. Ficou perturbado.”

Juan Ocerin era o diretor-geral da editora Globo. A versão que ouvi de diretores das Organizações Globo é que Juan fora demitido por ser espanhol. Ele era espanhol desde que nascera e fazia já alguns anos diretor geral da editora. Uma versão mais crível, que me foi contada por Frederic Kachar, antigo braço direito de Juan e depois seu substituto, é que o primogênito de Roberto Irineu Marinho sugeriu ao pai que Juan fosse demitido pouco depois de ele, Juan, ter feito a tradicional apresentação de planos para o ano seguinte. Segundo a versão que ouvi, Roberto Irineu teria dito, em âmbito fechado, que não gostava daquele “espanhol” e seu filho perguntou por que não o demitiam, então. Nóbrega demitiu Juan.


Cria de Emir
Nóbrega é muito bem pago para fazer coisas como aquela. Está na lista das pessoas que mais contribuem para projetos culturais com base em leis de incentivo do governo. Deixei em itálico a contribuição porque ela deriva do dinheiro que a pessoa teria que pagar mesmo como imposto de renda. Não é uma doação propriamente dita. Não é um ato desprendido de mecenato. Nóbrega, na lista, aparece ao lado de sobrenomes conhecidos do capitalismo brasileiro, gente como as filhas de Amador Aguiar, o fundador morto do Bradesco. Seu apoio é virtualmente corporativo. Uma peça de teatro com gente da Globo foi beneficiada.

Nóbrega é uma espécie de preceptor da nova geração de Marinhos. No passado, os preceptores de pessoas ricas eram gente como Aristóteles, que orientou o jovem Alexandre, e Sêneca, que cuidou da educação de Nero antes que este enlouquecesse. Sob este prisma, o mundo não progrediu muito com o correr dos séculos.

É curioso o processo colaborativo que se cria em torno de certas coisas como meu livro. Uma amiga viu a lista dos pretensos mecenas. Chamou a atenção a presença de alguém cujo nome não esteja vinculado a uma família muito rica. Lembrou que lera algo sobre aquele desconhecido no Diário. E me remeteu então o link para que eu checasse se era o mesmo Nóbrega. Era. Mundo estranho, mundo pequeno.

O detalhe tragicômico da demissão do espanhol – a mais absurda e surreal que vi em minha carreira – é que Juan levou a Nóbrega um brinde que recebera de uma editora alemã como presente de Natal. Uma coleção de cds de música clássica. Adicionalmente, a agressão à mais elementar das regras sobre como demitir alguém foi cometida por um homem que é visto nas Organizações Globo como um mestre do RH.

“Você não acha que publicar isso pode trazer problema para você?”, ela pergunta.
Texto publicado em: FNDC



“A história é muito mais cheia de detalhes do que meu espaço no livro permite publicar. São fatos, estão documentados, foram testemunhados por muita gente que está fora da Globo e não teria problema em confirmar”, digo a ela.

“Você falou no discurso de despedida do Ocerin”, ela me diz.

“Pois é. Lamento não ter gravado num vídeo. O Juan parecia um basco em guerra. Estava perturbado, transtornado. As pessoas na platéia não entenderam direito o que ele queria dizer. Mas era uma coisa solene, grave. Quase épica.”

“Terminou ali a história dele na Globo?”

“Não. Ele ainda aproveitou uma boca-livre da Quem no carnaval da Bahia. A Quem tinha montado um camarote em Salvador.”

“Não acredito. Ele ainda teve coragem de ir para lá, demitido do que jeito que foi?”, ela pergunta.

“Os bascos são corajosos”, digo.

“É verdade que a Globo queria que você assinasse um documento em que se comprometia a não falar nada dela?”

“Mais de uma vez. Tenho a cópia de um deles, o último.”

“Posso te dizer uma coisa?”, ela pergunta. Aquieço.

“Faça qualquer coisa. Mas não deixe de publicar esse livro. Não se deixe intimidar.”

Sorrio. Estou terminando meu pastel de nata de sobremesa.

“Pode ficar tranquila. Sou cria do Emir Macedo Nogueira.”

terça-feira, 19 de março de 2013

Mídia ocidental ‘prepara’ guerra contra a Coreia do Norte


As agências de notícia e os grandes jornais da Europa e dos EUA já fizeram isso quando inventaram fatos sobre Saddam Hussein antes de os norte-americanos invadirem o Iraque. A estratégia é difamar o adversário para ‘ganhar’ a opinião pública internacional. Na mídia, Kim Jong-um é retratado como um insano ‘Doctor Evil’ e o povo norte-coreano, como loucos que matam crianças para saciar a fome.
Texto publicado em: Agência Carta Maior 
Finian Cunningham - PressTV


A cobertura da mídia ocidental das crescentes tensões na Península Coreana é como uma mistura entre um filme ruim de James Bond com um filme de terror barato sobre zumbis comedores de carne humana.

Seria engraçado se o perigo de guerra não fosse tão sério e iminente. A direção perturbadora que a cobertura da mídia ocidental segue é a de expor a Coréia do Norte - um país pobre e estéril - para um ataque militar total pela maior superpotência nuclear psicopata do mundo - os Estados Unidos.

Paradoxalmente, este perigo tem sido incitado por corporações de “notícias” que, pomposamente, clamam ser os bastiões do jornalismo independente, quando na realidade não são nada mais do que os progenitores do pior tipo de ficção barata.

Kim Jong-un, o jovem líder da Coréia do Norte que tomou o poder depois de seu pai, em 2011, vem sendo transmitido como um vilão insano, o qual a mídia ocidental assemelha a um ‘Doctor Evil’.

Dias atrás, relataram que Kim estava ameaçando uma “guerra nuclear” contra a Coréia do Sul e seu patrono, os Estados Unidos. Que demoníacos!

É pouco mencionado o fato de que Kim foi forçado a tomar esta posição de estabelecer uma defesa convicta de seu país, sob uma imensa pressão de uma possível agressão imperialista implacável. A República Popular Democrática da Coreia foi agredida com mais sanções conduzidas pelos EUA que visam ostracizar o país de qualquer contato internacional.

Isso é o equivalente ao confinamento de um prisioneiro numa solitária, sujeito a privações sensoriais. Mas isto é tortura de uma nação inteira deixando-a sem garantia de sobrevivência.

Sim, a Coreia do Norte conduziu um teste nuclear subterrâneo na metade de fevereiro.

Isso aconteceu depois que os EUA fecharam o cerco com ainda mais sanções; mas não só isso: depois de anos em que Washington se recusou a negociar uma solução para acabar com mais de seis décadas de embargos comerciais alijantes junto da sempre presente ameaça de aniquilação nuclear, depois da guerra de 1950-53 com seu vizinho do sul, apoiado pelos EUA.

Nenhum outro país foi ameaçado com um Armageddon nuclear tão frequentemente quanto a Coréia do Norte - e sempre pelos EUA - por mais de 60 anos.

A mídia ocidental colocou seus holofotes sobre o líder norte-coreano ordenando suas tropas se preparando para “varrer do mapa” uma ilha sul-coreana, transformando um posto avançado marítimo em um “mar de chamas.”

Vocês veem a insinuação aqui? Varrer do mapa uma ilha? Bem, Kim deve ser um insano megalomaníaco, certo?

A ilha em questão é o disputadíssimo território de Baengnyeong, que está de fato localizada fora do território norte-coreano, mas que os EUA forçaram a possessão pela Coreia do Sul depois da guerra de 1950-53. Desde então ela tem sido usada, provocativamente, como um posto de vigilância norte-americano e planejamento de ataques futuros contra a Coreia do Norte.

Sem dúvida que a ilha será usada durante as manobras de planejamento que simulam a invasão da Coreia do Norte, mas que o Washington eufemisticamente chama de “medidas defensivas.”

Condizente com a caricatura de arquivilão, fotógrafos e equipes de filmagem abundaram na mídia ocidental mostrando Kim Jong-un vestindo em um longo sobretudo preto e luvas pretas, olhando através de binóculos aparentemente em direção à Coreia do Sul e às forças norte-americanas, do outro lado da zona desmilitarizada do paralelo 38.

Caso o público ocidental não compre essa caricatura demoníaca de Dr. Evil, ainda há outro papel a ser incutido - o zumbi comedor de carne humana norte-coreano.

Nas últimas semanas, houve diversas histórias regurgitadas pela mesma mídia ocidental que noticiou os surtos de canibalismo entre as pessoas supostamente famintas da Coreia do Norte. Estas histórias de terror canibalesco e niilismo não foram impressas apenas nos tabloides sensacionalistas. Elas também foram destacadas em jornais de suposta qualidade, como o britânico ‘Sunday Times’ e o ‘Independent’, assim como em um dos americanos mais vendidos, o ‘The Washington Post’.

Essas histórias macabras começaram a circular na mídia ocidental no fim de janeiro - aproximadamente duas semanas antes dos testes nucleares subterrâneos conduzidos pela Coreia do Norte. Isso sugere que as alegações de comilança de carne humana são o trabalho de uma campanha de informações psicológicas ocidental com o objeto de dar tons pejorativos à crise atual.

Tudo isso dificulta nossa leitura. Não por causa dos detalhes macabros, mas porque estas histórias são tão obviamente tramadas e regurgitadas de maneira repetitiva por supostas agências de notícias. Os testemunhos do horror provêm todos de uma única fonte: um time de jornalistas de uma agência chamada ‘Asia Press’, com sede no Japão, que secreta e corajosamente entrou na Coreia do Norte e supostamente entrevistou vários fazendeiros anônimos e oficiais do Partido Comunista.

A mídia ocidental passou dos limites ao divulgar esses relatos horripilantes de canibalismo sem confirmação ou verificação.

Em uma versão publicada pelo ‘Britain’s Daily Mail’, a manchete diz: “Pais norte-coreanos comem seus filhos depois de ficarem loucos por causa da fome”.

É noticiado aos leitores do ‘Daily Mail’ como adultos famintos estão sequestrando e assassinando crianças. Um homem foi supostamente executado depois que sua esposa descobriu que ele havia matado sua filha e seu filho mais novos “enquanto ela estava fora tratando de negócios”; quando ela retornou à propriedade de sua família faminta, seu marido a cumprimentou com a notícia de boas vindas que “temos carne” para comer.

Em outro conto macabro, impresso como notícia séria, é dito que um homem idoso escavou as sepulturas de seus netos e comeu seus restos podres.

O que é verdadeiramente perturbador sobre estas reportagens é o fato de que não são somente sensacionalismo sórdido passado como reportagens merecedoras de crédito, transmitidas por agências de notícia supostamente sérias. Pior do que isso é o fato de que, aparentemente, muitas pessoas que leem ou assistem essas mídias no ocidente creem nesta propaganda. Confira alguns dos comentários dos leitores abaixo das histórias mencionadas nas mídias acima e você encontrará todo tipo de condenações à Coreia do Norte e sua “gente doente”.

Mas não é o povo da Coreia do Norte que é depravado: é a mídia ocidental e seus crédulos assinantes que favorecem este ódio de caráter assassino contra uma nação inteira.

A cobertura da mídia ocidental da Coreia do Norte relembra as histórias de bebês sendo roubados das incubadoras dos hospitais por soldados iraquianos no Kuwait, o que foi crucial para que a opinião pública apoiasse a guerra liderada pelos EUA no Iraque, em 1991. Mais de uma década depois, a mesma mídia divulgou histórias assombrosas de armas de destruição em massa, histórias estas que pavimentaram o caminho para o genocídio americano no Iraque de 2003 a 2012.

Essa mesma imprensa ocidental propagandista repete incessantemente relatos sobre “ambições nucleares sinistras dos iranianos” que servem para justificar o embargo comercial criminoso liderado pelos norte-americanos contra o Irã, o que pode resultar num ataque militar executado por forças norte-americanas e israelenses contra a República Islâmica.

Essa mesma mídia está agora fazendo o mesmo trabalho de choque contra a Coreia do Norte. Uma nação de zumbis comedores de carne humana liderada por uma personalidade cultuada pelo mal que quer explodir ilhas?

“Sim, vá em frente Chuck, exploda estes filhos da ****!”

O público ocidental está sendo levado como um rebanho a concordar com o comportamento depravado de um barbarismo militar - uma superpotência militar com uma tremenda vontade de destruir uma nação empobrecida que não ameaça ninguém.

Na verdade, a realidade do imperialismo ocidental é mais perversa e doente do que a ficção ocidental.


Tradução: Roberto Brilhante

sexta-feira, 1 de março de 2013

Mil dias de cadeia sem julgamento, para o recruta que denunciou as atrocidades dos EUA no Iraque


Texto publicado em: Pátria Latina

Paulo Nogueira (Diário do Centro do Mundo)

A Personalidade do Ano, segundo os leitores do Guardian, foi Bradley Manning. Só que Manning está na cadeia há mil dias, recém completados, sob a acusação de ter vazado os célebres documentos com os quais o Wikileaks mostrou ao mundo a natureza da Guerra do Iraque. Sem julgamento, além de tudo.

 Manning, um herói

Um leitor do Guardian expressou assim sua escolha por Manning: “Ele se manteve firme em sua batalha pelo uso democrático da informação, a despeito da imensa pressão física, moral e psicológica posta sobre ele por seus superiores bas Forças Armadas, incluído o presidente dos Estados Unidos.” Palavras do editor do Guardian que coordenou o projeto: “Aprendemos um bocado sobre nossos leitores e sobre nossos herois “.

Manning, se fez mesmo o vazamento, o que é provável, combateu o bom combate. Não é à toa que muitas pessoas o indicaram para o Nobel da Paz. Mas o que ele ganhou mesmo foi um regime de prisão solitária capaz de destruir a sanidade rapidamente. Manning só saiu da solitária por pressão de ativistas, entre os quais se destaca o jornalista americano Glenn Greenwald, a primeira voz a denunciar as condições desumanas em que vivia Manning.

Graças ao vídeo vazado, o mundo pôde ver o que era a Guerra do Iraque. Pôde ver, também, o caráter das guerras movidas no Oriente Médio pelos Estados Unidos em nome da civilização e da democracia. Pôde ver, ainda, o terror da Guerra ao Terror.

Os iraquianos viviam melhor sob Saddam Hussein do que sob os americanos. Da mesma forma, os afegãos viviam melhor sob o Talibã do que sob os americanos.



ABRINDO OS OLHOS

Manning contribuiu para que todos pudéssemos entender melhor as coisas. Você não resolve um problema se não consegue enxergá-lo. Manning nos ajudou a todos a enxergar o problema.

A humanidade como que acordou depois dos vazamentos atribuídos a Manning. A Primavera Árabe é, em boa parte, fruto dos documentos que foram publicados. A corrupção e a violência de governos de países como o Egito e a Tunísia ficaram dramaticamente expostas. E isso foi essencial para que as pessoas tomassem as ruas e varressem administrações predadoras — apoiadas, aliás, pelos Estados Unidos.

A Primavera Árabe acabou contagiando até os americanos. O movimento Ocupe Wall Sreet foi inspirado nela.

Com tudo isso, a agenda planetária mudou. Foi numa atmosfera internacional de protesto e inconformismo que emergiram estatísticas que mostram a espetacular concentração de renda ocorrida nos países ricos nos últimos trinta anos. Bradley Manning está na origem dessa mudança formidável que vai se operando no mundo.

Por isso é um herói, como reconheceram os leitores do Guardian.

Fonte: Tribuna da Imprensa