domingo, 4 de novembro de 2012

As milionárias doações privadas para as campanhas eleitorais nos Estados Unidos

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Candidato republicano registra maior volume de doações

Mary Stassinákis, no Monitor Mercantil



Bruxelas - As eleições presidenciais norte-americanas deste ano são, seguramente, as mais caras na história, com os dois candidatos básicos tendo desde o início definido altíssimos alvos de fluxo de recursos e os capitais dos riquíssimos doadores têm inundado os super PACs (Political Action Commitiees), as conhecidas comissões independentes de ação política.

Os doadores individuais (pessoas físicas) dos candidatos à Presidência dos EUA podem contribuir com até US$ 2.500 para os vários comícios dos candidatos nos estados norte-americanos e mais US$ 2.500 para as eleições finais. Contudo, os grupos independentes denominados Super PACs não têm limites quanto ao volume que poderão arrecadar de pessoas físicas, jurídicas (empresas) e sindicatos de trabalhadores.

Desde que foi criado e adotado o sistema público de financiamento, nenhum candidato aceitou mais recursos públicos para as eleições gerais ou os limites de despesas a serem pagos.

Antes desta decisão, havia sido tornado claro quão profundamente tem sido mudado o ambiente do financiamento da campanha pré-eleitoral com a decisão da Suprema Corte dos EUA e da Comissão Federal Eleitoral. Um tribunal dividido aprovou por 5 a 4 votos que o governo não pode proibir as doações políticas independentes realizadas por empresas, assim como por sindicatos de trabalhadores e outras organizações para os candidatos das eleições. E em junho deste ano, a Suprema Corte dos EUA confirmou esta decisão.

A campanha das eleições intermediárias de 2010 resultou na ascensão dos Super PACs, ou comissões de ação política. Nicholas Confessore, articulista do The New York Times, especializado em questões econômicas das campanhas pre-eleitorais, definiu o Super PAC como uma comissão política cujo objetivo principal é de influenciar as eleições e que poderá receber ilimitadas doações de empresas, sindicatos ou ricos particulares, desde que os recursos arrecadados sejam gastos independentemente da campanha do candidato.

Em consequência, os riquíssimos doadores (pessoas físicas) canalizaram centenas de milhões de dólares este ano para as eleições do Congresso dos EUA, recursos estes que, em sua maioria, foram direcionados a apoiar os republicanos. Nas primeiras sete semanas deste ano, cerca de duas dúzias de pessoas, casais ou empresas doaram US$ 1 milhão ou mais cada um aos Super PACs republicanos, resultando que o total das doações totalizou (naquela época) mais de US$ 50 milhões. De acordo com os últimos dados, o total de doações aos PACS republicanos totaliza hoje mais de US$ 110 milhões.

No início de fevereiro deste ano, o presidente Barack Obama sinalizou aos riquíssimos doadores do Partido Democrata que gostaria que começassem contribuindo em um grupo externo que apoia sua reeleição, revertendo uma posição prolongada sua, porque já estava enfrentando um profundo déficit econômico de vital importância, em relação com seu adversário, Mitt Romney.

Assim, aos poucos, seus conselheiros e membros de destaque da campanha pré-eleitoral começaram a programar discursos de Obama em eventos filantrópicos do Priorities USA, o maior Super Pac democrata, cujas arrecadações de recursos já foram superadas pelo Super PAC republicano.

Assim, até setembro deste ano conseguiram atrair as doações dos ríquíssimos doadores que haviam apoiado os republicanos. E, de acordo com últimos dados, o total das doações já atingiu US$ 50 milhões. Aliás, o megainvestidor George Soros doou US$ 1 milhão à Priorities USA no final de setembro passado.

Quais são estes superdoadores?

Na relação da Comissão Federal Eleitoral dos EUA são encontrados nomes bastante conhecidos de riquíssimos doadores, grandes hedge funds, empresas private equity, empresários e até atores e diretores de Hollywood.

Super PAC Restore Our Future

Apoia Mitt Romney

Total de recursos arrecadados, de acordo com dados da Comissão Federal Eleitoral até o final de setembro passado: US$ 110,5 milhões

Doadores e doações

- Bob Perry - empresa que foi um importante doador do Swift Boat Veterans For Truth, grupo que ajudou a minar o candidato dos democratas John Kerry em 2004. Doação: US$ 10 milhões.

- Sheldon Adelson - multimilionário, construtor do hotel Venetian, assim como o homônimo cassino em Las Vegas. Doação: US$ 5 milhões.

- Mirian Adelson, mulher de Sheldon. Doação: US$ 5 milhões.

- Bill Koch - irmão dos conservadores doadores David e Charles Koch. É proprietário da empresa Oxbow Carbon, a qual é também doadora, e divide sua direção com Huron Carbon. Total de doações: US$ 4 milhões.

- Steven Lund - proprietário da Nu Skin, empresa de produtos para tratamento da pele e cosméticos. Doação: US$ 3 milhões.

- Julian Robertson - O mais famoso do setor de hedge funds e administrador da Tiger Management. Doação: US$ 1,3 milhão.

- Crow Holdings - empresa de investimentos. Total de doações: US$ 1,3 milhão.

- Harold Simmons - milionário banqueiro e CEO da Contran Corp. Doação: US$ 1,3 milhão.

- Frank Vander Sloot - empresário do setor de cosméticos. Doação US$ 1,1 milhão.

- The Villages of Lake Sumter - Comunidade de 13 empresas na Flórida. Doação: US$ 1,7 milhão.

- Kenneth Griffin - administrado de hedge fund em Chicago e, CEO da empresa Citadel LLC. Doação US$ 1.1 milhão.

- Bob Parsons - bilionário e fundador do web hosting Go Daddy. Doação: US$ 1 milhão.

- Jim Davis - presidente da New Balance - Doação: US$ 1 milhão.

- Stanley Herzog - CEO da Herzon Corp. Doação: US$ 1 milhão.

- Bruce Kovner - administrador do hedge fund da Caxton Alternative Management. Doação: US$ 1 milhão.

- Rocco Ortenzio - fundador da Select Medical Corp. Doação: US$ 1 milhão.

- John Chils - fundador da empresa private equity JW Childs Associates LP, em Flórida. Doação: US$ 1 milhão.

- Edward Conard - megainvestidor em Nova York. Doação: US$ 1 milhão.

- John Kleinheinz - administrador do hedge fund da Kleinheinz Capital Partners: Doação: US$ 1 milhão.

- J.W Marriott Junior - presidente e CEO da Marriott Internacional. Doação: US$ 1 milhão.

- Robert McNair - proprietário de time de futebol. Doação: US$ 1 milhão.

- Robert Mercer - hedge fund manager da Renaissance Technologies. Doação: US$ 1 milhão.

- John Paulson - hedge fund manager da Paulson & Co. Doação: US$ 1 milhão.

- Paul Singer - hedge fund manager. Doação: US$ 1 milhão.

- Rooney Holdings Inc. - proprietário da Manhattan Construction. Doação: US$ 1 milhão.

- Paul e Sandra Edgerly - proprietários da Paul Edgerly. Doação: US$ 1 milhão.

- Steven Webster - executivo da private equity Avista Capital. Doação US$ 1 milhão.

- Robert Brockman - executivo da revenda de automóveis Reynolds and Reynolds. Doação: US$ 1 milhão.

- Miguel Fernandez - presidente da MBF Healthcare Partners. Doação: US$ 1 milhão.

- Ranco Group Inc. - do bilionário, Ira Rennert. Doação: US$ 1 milhão.

- Odyssey Re Holdigns Corp. Empresa de resseguros. Doação: US$ 1 milhão.

Super PAC: Priorities USA Action

Apoia Barack Obama

Total de recursos arrecadados até o final de setembro deste ano: US$ 50,1 milhões.

Doadores e doações:

- James Simons - hedge fund manager da Renaissance Technologies. Doação: US$ 3,5 milhões.

- Fred Eychaner - Fundador da Newsweb Corp. Doação: US$ 3 milhões.

- Jet Katzenberg - CEO da Dream Works Animation. Doação: US$ 3 milhões.

- Steve Mostyn - Advogado. Doação: US$ 2 milhões.

- Irwin Mark Jacobs - Ex-CEO da Qaulcomm. Doação: US$ 2 milhões.

- Jon Stryker - Ativista político e administrador da empresa de serviços médicos de seu avô. Doação: US$ 2 milhões.

- Anne Cox Chabers - filha do milionário James M. Cox, fundador da Cox Enterprises. Doação: US$ 1.5 milhão.

- National Air Traffic Controlers Association. Doação: US$ 1.5 milhão.

- Daniel Abraham - bilionário e presidente da Abraham Center For Middle East Peace. Doação: US$ 1,2 milhão.

- Barbara Stefel - aposentada da Coral Gables. Doação: US$ 1.1 milhão.

- Kareen Ahmed - CEO da Landmark Medical Management. Oação: US$ 1 milhão.

- David Boies Jr. - Advogado. Doação: US$ 1 milhão.

- Morgan Freeman - Ator de cinema. Doação: US$ 1 milhão.

- Amy Goldman - Escritora e herdeira da fortuna de Sol Goldman. Doação: US$ 1 milhão.

- Franklin Haney - CEO da FHL. Doação: US$ 1 milhão.

- Bil Maher - Ator de stand-up. Doação: US$ 1 milhão.

- Mel Heifetz - Milonária e executiva do setor de ativos imóveis. Doação: US$ 1 milhão.

- Michael Snow - Advogado. Doação: US$ 1 milhão.

- Steven Spielberg - Diretor de cinema. Doação: US$ 1 milhão.

- An Wyckoff - Milionária. Doação US$ 1 milhão.

- Service Employees International Committee on Political Educacion - Doação: US$ 1 milhão.

- Associação Nacional dos Técnicos e Aprendizes Hidráulicos - Doação: US$ 1 milhão.

Bônus querem Obama e ações, Romney

A reeleição do presidente dos EUA, Barack Obama, semana que vem será positiva para os bônus, enquanto uma vitória de seu adversário republicano, Mitt Romney, será melhor para as ações, de acordo com pesquisa do Barclays no âmbito de investidores institucionais.

Esta pesquisa , que foi realizada entre investidores profissionais que administram recursos totalizando mais de US$ 10 trilhões, chegou no momento quando os dois candidatos preparam-se para os últimos dias de suas campanhas pre-eleitorais, em uma muito dura - conforme tem sido revelada - luta e, com as pesquisas mostrando que seus percentuais são muito próximos. Quem será o eleito?

Mitt Romney, multimilionário e co-fundador da Bain Capital, tem sido caracterizado como o candidato preferido das empresas para as eleições da próxima terça-feira, enquanto se Barack Obama conquistar uma segunda gestão como presidente, os investidores preferirão os bônus, mas são divididos sobre a direção que tomarão as ações, conforme mostrou a pesquisa.

Muitos prevêem um pequeno e curto sell-off nas ações se Obama vencer ou, talvez, uma pequena corrida se Romney conseguir acertar o passo rumo à Casa Branca. A vitória de Obama seria provável ser interpretada como manutenção do status quo - segundo o Grupo de Análise do Barclays - enquanto, como acrescenta, uma vitória de Romney é bem provável que possa propor uma mudança de direção aos investidores institucionais, por intermédio de melhores perspectivas em torno do crescimento.

Seja quem for o vencedor estará diante de um iminente abismo fiscal no início do ano que vem, quando os automáticos cortes de gastos e o encerramento das reduções tributárias da época de Bush Jr atingirão a economia em cheio.

Um beco sem saída para o Congresso dos EUA, o qual poderia afetar a capacidade do governo para conseguir um acordo a fim de evitar uma evolução assim, dirá respeito aos investidores que apostam, principalmente, em vitória de Obama, de acordo com o Grupo de Análise do Barclays. Se Romney vencer, as maiores preocupações serão em torno de se ele dará um fim na mais flexível política monetária que desenvolve o Federal Reserve (Fed).

Romney já declarou sua oposição ao último turno da flexibilização quantitativa do Fed, conhecido como QE3 e, ao presidente do Fed, Ben Bernanke, o qual, deseja um terceiro turno, destacando que, pode convocar uma mudança na política do Fed.

A flexibilização da política monetária já ganhou muitos pontos na preferência geral, porque tem, claramente, ajudado a manter a economia norte-americana longe da queda com duplo fundo (double dip), embora, seus críticos sustentam que, no final, submete a maior risco o balanço do Fed.

Estas preocupações sobre a influência de Romney sobre o Fed, podem explicar o motivo dos investidores que preferem esperar o sell-off nos mercados de bônus após uma vitória de Romney, ou uma corrida, se Obama conseguir uma segunda gestão.

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