sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Urge uma nova educação no Chile, reclama líder estudantil

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Santiago de Chile, 28 set (Prensa Latina) A educação no Chile requer hoje mudanças estruturais, para que os setores mais despossuídos não sejam cada vez mais excluídos do acesso ao ensino, considerou um renomeado dirigente estudantil.

Em entrevista a Prensa Latina, o presidente da Coordenadora Nacional de Estudantes Secundários (Cones), Cristofer Sarabia, assegurou que um dos grandes problemas na esfera dos colégios municipais.

"Estes colégios são considerados a última opção em qualidade da educação, pois estamos criando condições nas populações para que a gente segue na pobreza", refletiu o dirigente da Cones, uma das organizações que convocou à marcha desta quinta-feira a nível nacional em defesa da educação pública.

Estas escolas, precisou Sarabia, são vistas como muito marginais, inclusive alguns históricos que têm 100 anos de vida, e que estão sobrevivendo, mas os colégios da populações estão fechando pouco a pouco e estão se convertendo em particulares subvencionados, destacou o dirigente estudantil, aluno do emblemático Instituto Nacional.

"Já têm fechado 250 colégios municipais nos últimos 30 anos, e têm criado mais de dois mil 500 particulares subvencionados ou privados, de maneira que a educação pública vai em declive de matrícula", comentou.

O líder da Cones precisou que no Chile o sistema de financiamento se calcula pela assistência de alunos às aulas, de maneira que se um estudante tem que ir todos os dias à escola, o colégio recebe os 42 mil pesos (88 dólares) por aluno, mas se não vão, lhe começam a descontar gradualmente.

"Então que ocorre com os colégios públicos, aos quais muitos jovens para poder chegar até eles têm que viajar uma hora, inclusive duas ou mais por caminhos de terra nas zonas rurais, como as comunas de Valdivia, eles não podem ir a classes todos os dias", comentou Sarabia.

Por essa razão, os colégios vão-se desfinanciando, e os titulares são os de municipalidades, outro erro do sistema, na opinião do dirigente, que assegurou que manter aberto ou fechada uma escola passa por uma decisão política.

"Queremos que não se continue vendo à educação a nível de municipalidades, porque se se elege a um prefeito, ao qual não gosta da educação pública fará todo o possível por fechar os escolas, é por isso que queremos que as escolas voltem a mãos do Estado", considerou o porta-voz da Cones.

Diz-se que estão injetando recursos à educação, acrescentou, mas, essas finanças não chegam aos colégios, e se seguem fechando escolas.

O jovem destacou que essa é uma das razões pelas quais os estudantes advogam por uma mudança estrutural, que inclua uma modificação na forma de dar subvenção à demanda.

"Porque não pode ser que por ter 40 garotos sentados em um aula vão me pagar 40 por 42 mil pesos, se tenho 20 alunos sentados vão me pagar 20 por 30 mil pesos, assim os colégios que vão combinando com menos alunos se vão desfinanciando, até o momento que os prefeitos tomam a decisão política de fechar os estabelecimentos", enfatizou.

Sarabia recordou que no Chile existem três formas de acesso à educação: a privada, que cobra entre 100 mil pesos (210 dólares) e 500 mil pesos (mil 50 dólares) mensais por estudante, a subvencionada, que tem um contribua do Estado por 42 mil pesos (88 dólares), e cobra um contribuição familiar que pode chegar desde cinco mil pesos (10 dólares) até os 100 mil pesos (210 dólares), e a pública.

Entretanto, o pesadelo não conclui no ensino secundário, colaborou por sua vez o presidente da Federação de Estudantes da Universidade Católica, Noam Titelman.

Em declarações a Prensa Latina, o também diretivo da Confederação Nacional de Estudantes de Chile, precisou que uma carreira universitária custa anualmente como média uns três milhões de pesos (mais de seis mil dólares).

"E se se tem em conta que as carreiras no país duram entre seis e sete anos, estamos falando de 21 milhões de pesos (mais de 44 mil dólares), que comparado com o salário média, são os impostos mais caros do mundo", concluiu Titelman.

Nesta quinta-feira, entorno de 70 mil pessoas marcharam por ruas de Santiago do Chile em defesa de uma educação pública, gratuita e de excelência.

A manifestação realizou-se dias antes de vencer o prazo para que o Governo apresente ao Parlamento seu projeto de orçamento para 2013, que em opinião de vários líderes estudantis, provocará sérios recortes aos fundos dos colégios públicos, pelo que muitos poderiam desaparecer para fins deste ano.

ocs/et/bj
Modificado el ( viernes, 28 de septiembre de 2012 )

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