quinta-feira, 26 de abril de 2012

Por que o silêncio sobre a Islândia?

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Após a crise econõmico-financeira que arrasou o país, o povo islandês deu uma lição à Europa, enfrentando o sistema e dando um exemplo de democracia ao mundo.
Por Theo Buss [12.04.2012 10h45]

Publicado por ODiario.info

Se há quem acredite que nos dias de hoje não existe censura, então que nos esclareça porque é ficamos a saber tanta coisa acerca do que se passa no Egito e porque é que os jornais não têm dito absolutamente nada sobre o que se passa na Islândia. Na Islândia: - o povo obrigou à demissão em bloco do governo; - os principais bancos foram nacionalizados e foi decidido não pagar as dívidas que eles tinham contraído junto dos bancos do Reino Unido e da Holanda, dívidas que tinham sido geradas pelas suas más políticas financeiras; - foi constituída uma assembleia popular para reescrever a Constituição.

Tudo isto pacificamente. Uma autêntica revolução contra o poder que conduziu a esta crise. E aí está a razão pela qual nada tem sido noticiado no decurso dos últimos dois anos. O que é que poderia acontecer se os cidadãos europeus lhe viessem a seguir o exemplo? Sinteticamente, eis a sucessão histórica dos fatos: - 2008: o principal banco do país é nacionalizado. A moeda afunda-se, a Bolsa suspende a atividade.

O país está em bancarrota. - 2009: os protestos populares contra o Parlamento levam à convocação de eleições antecipadas, das quais resulta a demissão do primeiro-ministro e de todo o governo. A desastrosa situação econômica do país mantém-se. É proposto ao Reino Unido e à Holanda, através de um processo legislativo, o reembolso da dívida por meio do pagamento de 3,5 bilhões de euros, montante suportado mensalmente por todas as famílias islandesas durante os próximos 15 anos, a uma taxa de juro de 5%. - 2010: o povo sai novamente às ruas, exigindo que essa lei seja submetida a referendo. Em janeiro de 2010, o presidente recusa ratificar a lei e anuncia uma consulta popular. O referendo tem lugar em março.

O NÃO ao pagamento da dívida alcança 93% dos votos. Entretanto, o governo dera início a uma investigação no sentido de enquadrar juridicamente as responsabilidades pela crise. Tem início a detenção de numerosos banqueiros e quadros superiores. A Interpol abre uma investigação e todos os banqueiros implicados abandonam o país. Neste contexto de crise, é eleita uma nova assembleia encarregada de redigir a nova Constituição, que acolha as lições retiradas da crise e que substitua a atual, que é uma cópia da constituição dinamarquesa.

Com esse objetivo, o povo soberano é diretamente chamado a se pronunciar. São eleitos 25 cidadãos sem filiação política, dentre os 522 que apresentaram candidatura. Para esse processo é necessário ser maior de idade e ser apoiado por 30 pessoas. - A assembleia constituinte inicia os seus trabalhos emfeevereiro de 2011 a fim de apresentar, a partir das opiniões recolhidas nas assembleias que tiveram lugar em todo o país, um projeto de Carta Magna.

Esse projeto deverá passar pela aprovação do parlamento atual bem como do que vier a ser constituído após as próximas eleições legislativas. Eis, portanto, em resumo a história da revolução islandesa: - Demissão em bloco de um governo inteiro; - Nacionalização da banca; - Referendo, de modo a que o povo se pronuncie sobre as decisões econômicas fundamentais; - Prisão dos responsáveis pela crise e - reescrita da Constituição pelos cidadãos: Ouvimos falar disto nos grandes media europeus? Ouvimos falar disto nos debates políticos radiofônicos? Vimos alguma imagem destes fatos na televisão? Evidentemente que não!

O povo islandês deu uma lição à Europa inteira, enfrentando o sistema e dando um exemplo de democracia a todo o mundo.

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