terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Drones e a nova política bélica estadunidense

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Por Luis Beatón *

Havana (Prensa Latina) O secretário de Defesa estadunidense, Leon Panetta, anunciou recentemente que o governo do presidente Barack Obama expandirá sua rede global de aviões sem pilotos, conhecidos como drones ou Unmanned Combat Aerial Vehicle (UCAV) com capacidade de portar armas letais.

Esta política é parte dos planos de corte d as forças convencionais como consequência do desequilíbrio fiscal que afeta a economia estadunidense nos últimos anos, comentou a esse respeito o jornal diário The Wall Street Journal.

Nos próximos cinco anos os Estados Unidos reduzirão em 92 mil o número de efetivos militares e aplicarão cortes milionários em seu orçamento, disse o chefe do Pentágono.

O país contará com menos soldados, que diminuirão de 562 mil, na atualidade, a 490 mil, ao mesmo tempo em que os infantes de marinha, também diminuirão de 202 mil a 182 mil, pontualizou.

O plano cujo orçamento será divulgado neste mês, contempla um incremento de 30 por cento da frota estadunidense de drones, segundo funcionários citados pelo Washington Post, em uma tentativa, talvez, de compensar tais reduções de efetivos.

O jornal esclareceu que nos planos do Pentágono está contemplado a mobilização destes aparelhos em bases em todo o mundo para operar em missões contra outras nações em uma "guerra remota", explicam especialistas.

Fontes do setor assinalam que mais de 30 bilhões de dólares serão orçados nos próximos 5 anos para a aquisição de aviões não tripulados, cinco bilhões durante 2012, para ampliar a compra dos aparelhos que patrulham o mundo em missões de espionagem e de combate.

Paquistão, Iêmen, Iraque, Afeganistão, Venezuela, México, Colômbia, Palestina, Somália, Líbia, Síria, Líbano e Turquia, entre outros estados, foram vítimas de incursões de espionagem ou de ataques.

A utilização desta tecnologia que remonta ao século anterior, obteve grande publicidade durante a ocupação estadunidense do Afeganistão na suposta caçada de Osama bin Laden e dos principais líderes da Al Qaeda.

No entanto, as ações mais notórias ocorreram no Paquistão, onde seu uso custou a vida de centenas de civis que o Pentágono qualifica eufemisticamente como "vítimas colaterais".

Segundo o site da internet lapistaoculta.com a CIA viola o espaço aéreo de países da América, Ásia e África a cada vez com uma freqüência maior.

Enquanto o programa militar do uso de drones sobre o Afeganistão e Iraque é supervisionado pelo Pentágono, a CIA dirige as operações em países onde não há uma guerra declarada quando considera necessário, agregou. Deste programa encoberto, Obama manteve no cargo todo o pessoal chave que tinha disposto George W. Bush quando assinou o memorando secreto que deu à CIA a autorização para assassinar membros da Al Qaeda e aliados em qualquer parte do globo, referendado pelo Congresso, indica o site.

Na atualidade, Israel é o principal exportador de drones, mas Washington almeja atingir a ponta.

Por exemplo, quando Bush lançou sua chamada política de guerra contra o terrorismo, o país contava com apenas 50 aparelhos deste tipo e na atualidade sua frota se acerca aos sete mil, assinalam analistas militares.

A General Atomics Aeronautical System, fabricante do Predator e do Reaper, une-se hoje ao Northrop Grunmann, para repartirem contratos de cerca de 25 bilhões de dólares.

Outras empresas como Lockheed Martin e General Dynamics (GD) competem também por esse mercado e esta última empresa tem em Fort Huachuca, no Arizona, o maior centro de treinamentos de drones do mundo.

Segundo fontes militares existem pistas de decolagem em Guam, Turquia, Etiópia, Colômbia, Coreia do Sul ou Quirguistão, entre outros países, e os voos são dirigidos desde a Base Aérea Beale na Califórnia; Wright-Patterson em Ohio; Grand Forks em Dakota do Norte; ou em Nevada e no Texas.

Não por gosto, nos últimos cinco anos, os drones se converteram na menina dos olhos da CIA e inclusive foram protagonistas no Iêmen do assassinato de cidadãos estadunidenses, supostamente terroristas.

Por outra parte, o anúncio de que os Estados Unidos expandirá sua rede global de aviões sem piloto é uma ratificação de que a política bélica deste país se considera acima das leis internacionais, avaliam comentaristas políticos.

Um simples análise do Protocolo Adicional I da Convenção de Genebra de 1949 assinala em seu artigo 51 que "a população civil não será objeto de ataques" como os executados contra o Paquistão.

Da mesma forma, o artigo 50 declara que "a presença entre a população civil de indivíduos que não estão incluídos nessa definição não tira à população seu caráter de civil" e o 53 condena qualquer hostilidade contra "lugares de adoração que façam parte da herança cultural ou espiritual da população".

Tudo isto foi violentado, por exemplo, em um massacre ocorrido contra os que participavam do funeral no qual, suspeitavam, participaria um líder talibã, atacado por drones.

O próprio código legal estadunidense em seu Capítulo 18, seção 2331, define como terrorismo internacional as atividades violentas, ou atos que coloquem em perigo a vida com a intenção de intimidar ou coagir a população civil, influenciar com estes atos um governo e/ou afetar os governos mediante a destruição em massa, assassinatos e sequestros.

Esta é uma definição que se encaixa perfeitamente para identificar a guerra encoberta dos drones e que os próprios estadunidenses ignoram.

O uso desta tecnologia não leva em conta que essas leis culpam os indivíduos que planejem, ordenem ou cometam ataques deliberados ou irresponsáveis, falhando em distinguir entre a população civil e os combatentes, e são responsáveis por crimes de guerra.

Jornalista da Redação Norte-americana da Prensa Latina.

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