quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Trita Parsi: Obama deveria ter ouvido o Brasil

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Foto: Uol Notícias


Da revista Economist, em Running out of moves, que trata das relações entre Estados Unidos e Irã

A crise interna do Irã também paralisou a tomada de decisões em Teerã e matou o acordo para gerar confiança que poderia ganhar tempo para a diplomacia nuclear. A ideia era de o Irã mandar 1.200 quilos de seu urânio fracamente enriquecido para o estrangeiro para produzir o combustível de seu reator de pesquisas, deixando o país por um tempo com um estoque muito baixo de urânio para fazer uma bomba. Depois da eleição [no Irã] essa ideia se tornou muito quente para o governo bancar, especialmente depois que um dos líderes reformistas, Mir Hossein Mousavi, denunciou o acordo como “rendição” a estrangeiros.

A Turquia e o Brasil ressuscitaram o acordo na primavera de 2010, mas então o estoque de urânio do Irã tinha crescido e o sr. Obama estava a ponto de guiar uma nova resolução, obtida com duro esforço, no Conselho de Segurança [das Nações Unidas]. Depois do trabalho que deu a ele para convencer a Rússia e a China a apoiar a resolução, o presidente parece ter decidido que não poderia arriscar o fracasso das sanções [econômicas contra o Irã].

Enquanto os republicanos acusam o sr. Obama de “apaziguar” o Irã, o presidente também enfrenta críticos na direção oposta que dizem que o maior erro dele foi retirar muito cedo a mão estendida das negociações. Em uma aprofundada história do engajamento do presidente com o Irã (“A Single Roll of the Dice”), Trita Parsi, o fundador do Conselho Iraniano-Americano de Washington, lamenta o fracasso do sr. Obama em aceitar a proposta do Brasil e da Turquia.
Tendo escolhido perseguir pressão e diplomacia simultaneamente, ele apostou toda a diplomacia numa única jogada de dados, e quando não chegou a lugar algum ficou apenas com a pressão — que com o tempo pode também fracassar.

Para a diplomacia ser bem sucedida, o sr. Parsi argumenta, os Estados Unidos não devem recuar ao primeiro sinal de intransigência iraniana ou de oposição parlamentar em casa, ambas inevitáveis. O problema, ele conclui, é que a inimizade de trinta anos entre o Irã e os Estados Unidos não é mais um fenômeno, “é uma instituição”.

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