segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Eles viajam pelo mundo e nós pagamos

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Foto: idem


Quantos casais os caros leitores do Balaio conhecem que podem viajar 114,2 mil quilômetros (três voltas e meia ao redor da Terra) pelo mundo todo sem gastar um tostão do próprio bolso? Fora os que têm amigos muito ricos e magnânimos, com recursos próprios para convidar a família e a turma toda numa viagem de boca livre total, este milagre, certamente, só acontece com suas excelências do Congresso Nacional, os por nós eleitos senadores e deputados. Entre eles, o campeão é o casal Valdir Raupp, presidente nacional do PMDB, e Maninha Raupp, ambos de Rondônia, donos do recorde de milhagem citado na abertura desta matéria. Das seis viagens internacionais que os Raupp fizeram nos últimos sete anos, cinco foram pagas por nós, os pródigos contribuintes. "Qual é o problema?", perguntou o doutor Valdir Raupp à repórter Andrea Jubé Vianna, autora da reportagem publicada nesta segunda-feira, na página A6 do "Estadão". Como se ninguém tivesse nada a ver com isso, o senador foi romântico ao explicar o motivo das coincidências que colocam o casal nas mesmas "missões oficiais" do Congresso Nacional: "É uma forma de ficarmos mais tempo juntos. Se ela é deputada e pode participar, qual é o problema?".

O problema é que nós, simples mortais contribuintes e eleitores, quando quisermos fazer viagens internacionais com as nossas mulheres precisamos enfiar a mão no bolso para comprar passagens, pagar hotéis, passeios, restaurantes, etc. Para ir à Coréia do Sul, por exemplo, o senador Raupp recebeu 11 diárias pagas pelo Senado, no valor total de R$ 11.348, e e sua esposa deputada mais 5 diárias por conta da Câmara, cada uma no módico valor de US$ 350. Estas despesas não incluem os bilhetes aéreos gentilmente oferecidos ao casal. Como as excelências não costumam viajar em classes econômicas nem comer em restaurantes de comida a quilo dá para imaginar o custo total desta "missão oficial" conjugal.

Assim eles foram também para a Alemanha, África do Sul , China, Japão e Taiwan. Para ninguém pensar que eles foram só passear, a deputada Maninha apresentou um relatório à Câmara com os resultados da missão: "Melhorar as relações de amizade, cooperação de intercâmbio dos deputados e a expansão do intercâmbio econômico entre Brasil e Coreia". É muito intercâmbio para justificar as despesas. Para a viagem à China, Maninha encontrou outra explicação: "As lições aprendidas na China deverão subsidiar a escolha do melhor modelo de trem de alta velocidade para o Brasil". Ah, bom. Ninguém sabe ainda se e quando teremos um trem-bala, mas subsídios do Congresso Nacional certamente não faltarão. Outros quatro deputados, além do senador Raupp, integraram a "missão oficial". Como diz meu colega Paulo Henrique Amorim, viva o Brasil!

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