sexta-feira, 15 de julho de 2011

Quem Caga e Quem Consente

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Por: Érico Abdala

A improbidade, a desonra, a iniquidade e a covardia em simetria radial…

Vivemos em uma sociedade assolada pelo hedonismo. A obtenção de prazer a qualquer custo e circunstância vem tornando o homem cada vez mais cínico. Com o fim das utopias e a queda dos paradigmas religiosos, os norteadores da conduta humano ainda buscam se adaptar aos novos tempos. Entretanto há uma dificuldade muito grande em encontrar parâmetros para uma existência equilibrada e harmônica. As transformações são muito rápidas e intensas, em função disso ainda carregamos muitos vícios de tempos passados.


É claramente o caso do Grupo Globo (não apenas a rede de televisão, mas todos os seus tentáculos no rádio, jornal e internet). Habituada a compactuar com todas as sujeiras feitas no Brasil nos últimos 46 anos (vale lembrar que por coincidência ou não ela é fundada em 1965, um ano após o golpe militar), a TV que cresceu exponencialmente durante os anos de chumbo, sempre soube ficar à sombra dos poderosos, sem nunca se importar que tipo de gente ou ideologia estavam abraçando.

Um dos últimos capítulos de sua vergonhosa história diz respeito as denúncias feitas por diversos orgãos da imprensa ao rei e dono do futebol brasileiro presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) Ricardo Teixeira. No poder há mais de 25 anos, ele é o Executivo, Legislativo e o Judiciário (poderia até ser o Moderador) do futebol brasileiro. Como todo ditador empedernido no poder, as acusações contra Teixeira possui uma imensa lista de denúncias (não deixem de ver a entrevista do jornalista inglês Andrew Jennings no Bola da Vez da ESPN Brasil). Todos eles com um única e grande coincidência: nunca são noticiados pela Globo.

O fato abjeto ganha uma dimensão de ultraje e desrespeito pelos milhões de telespectadores em todo país. Se em outros tempos a informação tinha sua liberdade cerceada pela mão de ferro do estado, hoje em dia não é possível controlar isso. A internet com todas as possibilidades de comunicação transformou fundamentalmente essa relação. Ainda que menos de 20% da população brasileira tenha acesso constante a rede, o poder multiplicador do conteúdo que circula nas ondas virtuais acaba atingindo o cidadão das ruas.
Se a emissora, como um todo, subestima e negligencia sua audiência, individualmente muitos de seus funcionários reproduzem uma postura desrespeitosa e pedante para o público. Iniciada a poucos dias, a campanha do blogueiro Xico Malta vem tentando, em vão, obter algum posicionamento de executivos e colaboradores do grupo, em relação as declarações de Teixeira feitas para a Revista Piauí. Infelizmente as respostas obtidas até agora reforçam a imagem de subserviência - e por que não covardia de muitos profissionais - que maculam o jornalismo e suas próprias condutas éticas como cidadãos.

Mas nós da sociedade civíl também podemos fazer a nossa parte. Muitos criticam o “engajamento virtual” por ser pouco palpável, porém um assunto que consiga grande repercussão na net fatalmente se transforma em notícia na grande mídia. Como é uma ferramenta nova, o militantismo pela internet ainda apresenta algumas dificuldades, mas não tenho dúvidas que será a grande arena de discussão política social nos próximos anos.

Por isso a difusão da hashtag #FalaGlobo no Twitter pode ser muito importante para que esse silêncio constrangedor seja rompido. No blog do Xico você também encontra outras formas de contato com alguns jornalistas. A campanha também está no Facebook em que um simples “Curtir” já contribui. Uma mobilização como essa pode levar um tempo e a participação das pessoas é vital. É uma excelente chance de lembrar para aqueles que estão “cagando um monte para as denúncias” que o cadilhismo e a supressão de notícias pertencem ao passado do nosso país. Participem!

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