sexta-feira, 29 de julho de 2011

O #ForaRicardoTeixeira, da rede para as ruas « CartaCapital

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Em seis meses, governo economiza 68% da meta para o ano

Texto publicado em: Rede Brasil Atual

Segundo o Tesouro, contas do governo tiveram maior resultado positivo para o mês de junho, maior acúmulo em 12 meses e segundo melhor primeiro semestre da série histórica

Por: Redação da Rede Brasil Atual

Publicado em 25/07/2011, 18:12

São Paulo – Os recursos economizados do governo central para pagar juros da dívida em junho foram os mais altos da série histórica para o mês. Desde 1995, quando o Tesouro passou a divulgar dados sobre as contas públicas diante de metas de superávit primário, foi também o resultado mais elevado no acumulado em 12 meses e o segundo maior para primeiro semestre.

Em junho, foram economizados R$ 10,479 bilhões. Em 2011, o montante chega a R$ 55,522 bilhões. equivalente a 68% da meta para o ano, de R$ 81,7 bilhões. Em valores absolutos, o resultado do semestre fica atrás apenas do de 2008. "Temos até aqui um resultado muito positivo", disse o secretário do Tesouro, Arno Augustin, nesta segunda-feira (25).

Os cinco aumentos na taxa básica de juros da economia (Selic) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central aumentaram a necessidade de recursos economizados. Como 35% da dívida pública é corrigida pela taxa, a elevação significa que será necessário sobras maiores para honrar compromissos.

Os R$ 10 bilhões de junho equivalem a quase dois terços do que será investido no programa Bolsa Família (R$ 15,5 bilhões) até o fim de 2011. No acumulado do semestre, os R$ 55,5 bilhões de superávit representam quase dez vezes o impacto do aumento do salário mínimo deste ano sobre as contas da Previdência Social (R$ 6,1 bilhões).

Quanto mais o governo economiza nos resultados primários, menos tem recursos para investir em outras áreas. A margem maior do governo central é resultado, segundo Augustin, do corte de R$ 50 bilhões anunciado em fevereiro no Orçamento Geral da União. Segundo ele, apesar de ter economizado proporcionalmente mais do que o necessário, não haverá gastos maiores até o fim do ano.

Ele não comentou a possibilidade de o aumento da arrecadação fiscal, provocada pelo aquecimento da economia, ter facilitado o resultado. Tampouco cogitou a possibilidade de poupar mais para cobrir déficits eventuais por parte dos estados.

A estratégia do governo, segundo o secretário, foi economizar mais no início do ano para ajudar a desacelerar o ritmo de crescimento. A preocupação era evitar pressões inflacionárias.

Enquanto o Tesouro Nacional teve sobras de R$ 75,422 bilhões de janeiro a junho de 2011, a Previdência Social – incluídos todos os benefícios à população rural e outros programas de caráter assistencial – teve resultado negativo de R$ 19,526 bilhões. A ação do Banco Central para conter a valorização do real foi deficitário em R$ 373,5 milhões.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a economia brasileira registra crescimento sustentável, com resultado de 4,5% ao final do ano. Durante almoço com empresários promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), em São Paulo, Mantega frisou que o país acompanha o ritmo dos mercados emergentes, "principal motor" da economia mundial.

Com informações da Agência Brasil

terça-feira, 26 de julho de 2011

CQC, Band, Marcelo Tas e a liberdade de imprensa

Texto publicado em: FNDC

24/07/2011 |
Redação
Vermelho/portal-epcom-001

O jornalista Mauricio Stycer revela no UOL que o programa “CQC”, comandado pelo Marcelo Tas, censurou a entrevista do jornalista Jorge Kajuru nas críticas que este fez a Ricardo Teixeira, ao governador Marconi Perillo e a apresentadora Luciana Gimenez.

Por Renato Rovai, em seu blog

Esse programa chamado CQC é comando pelo jornalista Marcelo Tas, que vive atacando a falta de defesa da liberdade de imprensa na casa dos outros, como no Congresso.

E que saiu de pau em cima dos blogueiros que foram entrevistar Lula porque, na sua opinião, o time era chapa branca.

Ficaria muito feliz em saber de tão impoluta figura o que ele considera o que o seu programa fez com Kajuru? Se não é censura qual o nome que o lustroso jornalista dá a isso?

A defesa seletiva da liberdade de imprensa é um dos critérios que transforma algumas pessoas apenas em humoristas, não em jornalitas.

PS: Por meio de sua assessoria de imprensa, a Band informou que “o CQC grava muitas horas por semana e nem tudo que é gravado vai para o ar.” (Esclareço que isso não é uma piada da Band nem do CQC. O comunicado é sério.)


Band vetou críticas a Ricardo Teixeira em quadro do "CQC"

Por Mauricio Stycer, no UOL

Convidado do “CQC” a dar entrevista para o quadro “Resta Um”, o jornalista Jorge Kajuru fez críticas duras, como de hábito, ao presidente da CBF, Ricardo Teixeira, mas a Band vetou a exibição de suas palavras.

Segundo o UOL Esporte apurou, a emissora inicialmente vetou a íntegra do quadro, realizado pelo repórter Oscar Filho. Depois de alguma negociação interna, foram cortadas as menções a Teixeira, à apresentadora Luciana Gimenez e ao governador de Goiás, Marconi Perillo.

No lugar de fazer comentários sobre dez personalidades, como usualmente ocorre no “Resta Um”, Kajuru falou apenas sobre sete pessoas no quadro exibido na noite de segunda-feira (18). “Cortaram 100% do que eu disse sobre o Teixeira, sobre a Luciana e sobre o Perillo”, protesta o jornalista.

“Acho engraçado ver um programa como o ‘CQC’, que reclama tanto em Brasília da falta de liberdade de expressão fazer exatamente isso comigo”, diz Kajuru.

A Band é, já há alguns anos, parceira da Rede Globo na exibição de partidas do Campeonato Brasileiro. A emissora carioca é dona dos direitos e os sublicencia para a emissora paulistana.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Band informou apenas: “O CQC grava muitas horas por semana e nem tudo que é gravado vai para o ar.”

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Cabral e Paes dão R$ 30 milhões à Globo e à Fifa


Texto publicado em: Conversa Afiada

Saiu no UOL:

Globo recebe R$ 30 milhões de governo e prefeitura do Rio para organizar festa da Fifa


Vinícius Segalla
Em São Paulo

A Geo Eventos, empresa de eventos das Organizações Globo e do Grupo RBS, vai receber R$ 30 milhões do governo estadual e da prefeitura do Rio de Janeiro para organizar o evento em que será realizado o sorteio preliminar das eliminatórias da Copa do Mundo de 2014, o chamado “Preliminary Draw”.


A empresa foi contratada em regime de exclusividade pelo Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014 para produzir e captar patrocínios para a cerimônia. O sorteio acontecerá no dia 30 de julho, às 15h, na Marina da Glória (zona Sul do Rio), e será transmitido ao vivo para cerca de 200 países. Porém, a partir desta terça-feira, a Fifa promoverá uma série de atividades em uma espécie de “aquecimento” para o grande evento de sábado.


Vencedora da disputa promovida pelo COL, a Geo Eventos foi ao mercado à caça de patrocinadores para bancar a festa. Encontrou apenas dois: a prefeitura do Rio e o governo estadual. Cada um assinou um contrato de patrocínio, publicado nos diários oficiais do município e do Estado, no valor de R$ 15 milhões cada. A quantia teria sido acertada entre a Geo Eventos e as autoridades públicas, baseando-se, de acordo com a empresa das Organizações Globo, “em negociações e custos de mercado”.

(…)



Percebe-se que quem manda é a Fifa, quem manda é a Globo, e o Cabral e o Paes obedecem.
A chave da questão está na frase: “A quantia teria sido acertada entre a Geo Eventos e as autoridades públicas, baseando-se, de acordo com a empresa das Organizações Globo, ‘em negociações e custos de mercado’. “
Convém recordar que o governo do Rio desviou recursos para prevenir tragédias na região Serrana para a Fundação Roberto Marinho.

Paulo Henrique Amorim

sábado, 16 de julho de 2011

Ricardo Teixeira para Rei Momo

Texto publicado em: Carta Capital

Mino Carta*

15 de julho de 2011 às 13:55h

Espero que a presidenta e o ministro dos Esportes tenham lido a ótima reportagem de Daniela Pinheiro da revista Piauí sobre a peculiar- figura de Ricardo Teixeira, perfil redondo, identikit. O czar da Copa do Mundo de 2014 impávido avisa que estará habilitado então a fazer “a maldade que for”. E para não deixar dúvidas, exemplifica: “A maldade mais elástica, mais impensável, mais maquiavélica. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada. Sabe por quê? Porque eu saio em 2015”. Teixeira fala com a repórter e a chama de “meu amor”.

Está claro que não precisamos convidar o gajo nas nossas casas para tomar um copo de cerveja, talvez melhor de cachaça vagabunda. Sobretudo se houver crianças presentes. Disse gajo, e confirmo. Soa-me como palavra adequada, embora antiga, a definir a personagem, talhada inexoravelmente para encostar a vasta barriga no banco de algum botequim do arrabalde, a rescender a sardinha frita e bebida derramada.

Sobram outras razões de preocupação e constrangimento, a começar pelo fato de que esse indivíduo vulgar, grosseiro até o deboche, e tão visceralmente disposto à maldade, será o mandachuva de uma festa representativa do nosso País- aos olhos do mundo. Mais recomendável seria se o homem fosse escalado para Rei Momo do próximo carnaval carioca, peso para tanto não lhe falta.

Alinho algumas sentenças do extraordinário discípulo de João Havelange e Joseph- Blatter colhidas nas páginas da Piauí. Ao acaso. “Ca… um montão” para as denúncias da mídia. “Só vou ficar preo-cupado, meu amor, quando sair no Jornal Nacional”. A ligação com a Globo-exalta–o-. Ou seria o conluio, a parceria? Nada de surpresas, são estes os donos do Brasil. E ele insiste, altaneiro: “Quanto mais tomo pau da Record, fico com mais crédito com a Globo”. Crédito? Quem sabe valesse apurar a fundo o significado da palavra.

Notável expressão causou-me sua percepção da sociedade brasileira e como enxerga as classes pobres, obviamente negras. Segundo Teixeira “o neguinho do Harlem olha para o carrão do branco e fala: quero um igual”. Aqui na terra ocorre o contrário: “O negro quer que o branco se f… e perca o carro”. Donde a proclamação “é essa coisa de quinta categoria”. Resta verificar em qual categoria há de ser catalogado Ricardo Teixeira.

Agora, vejamos. A mídia o alveja porque as mazelas da CBF e do seu presidente são de domínio público há muito tempo. E o alveja por ser longa manu de uma Fifa cada vez mais podre. E mais, o alveja na inescapável previsão da bandalheira que vem por aí. Deus onipotente e onisciente sabe o que pode acontecer. A presidenta e o ministro dos Esportes parecem não saber. CartaCapital confessa, aliás, sua estranheza diante da cordialidade reinante entre Teixeira e o ministro Orlando Silva. Tanta simpatia, tanta complacência incomodam.

Desde a posse de Dilma Rousseff, a revista permite-se chamar a atenção da presidenta em relação aos efeitos que a organização e a realização da Copa terão aqui e lá fora, tanto mais ao se levar em conta o ano eleitoral. O prestígio do País e do seu governo está em jogo desde logo e estará até lá. O papel determinante reservado a Ricardo Teixeira neste enredo não induz a bons presságios.

O ano do Mundial do Brasil é também o das eleições políticas e é lógico, e do ponto de vista de CartaCapital desejável, que Dilma Rousseff se apresente para a reeleição. Se assim fosse, a candidatura surgiria com naturalidade de um governo feliz, a corresponder, diga-se, à nossa crença. É inegável, porém, que o êxito da presidenta também depende dos passos a caminho da Copa.

Vivemos agora uma fase indefinida, a impor ajustes finos e decisões rápidas e firmes. Transparente o contraste entre a lassidão e a leniência de vários setores e figuras da política, e, de improviso, o desconforto e a descrença de outros tantos da opinião pública, sem falar da ação da mídia nativa, sempre pronta a apostar na crise. Aí está o Teixeira, saído da espelunca periférica. Cuidado com ele.
Mino Carta

*Mino Carta é diretor de redação de CartaCapital. Fundou as revistas Quatro Rodas, Veja e CartaCapital. Foi diretor de Redação das revistas Senhor e IstoÉ. Criou a Edição de Esportes do jornal O Estado de S. Paulo, criou e dirigiu o Jornal da Tarde. redacao@cartacapital.com.br

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Quem Caga e Quem Consente

Texto publicado em: Notas do Projetor

Por: Érico Abdala
A improbidade, a desonra, a iniquidade e a covardia em simetria radial…

Vivemos em uma sociedade assolada pelo hedonismo. A obtenção de prazer a qualquer custo e circunstância vem tornando o homem cada vez mais cínico. Com o fim das utopias e a queda dos paradigmas religiosos, os norteadores da conduta humano ainda buscam se adaptar aos novos tempos. Entretanto há uma dificuldade muito grande em encontrar parâmetros para uma existência equilibrada e harmônica. As transformações são muito rápidas e intensas, em função disso ainda carregamos muitos vícios de tempos passados.


É claramente o caso do Grupo Globo (não apenas a rede de televisão, mas todos os seus tentáculos no rádio, jornal e internet). Habituada a compactuar com todas as sujeiras feitas no Brasil nos últimos 46 anos (vale lembrar que por coincidência ou não ela é fundada em 1965, um ano após o golpe militar), a TV que cresceu exponencialmente durante os anos de chumbo, sempre soube ficar à sombra dos poderosos, sem nunca se importar que tipo de gente ou ideologia estavam abraçando.

Um dos últimos capítulos de sua vergonhosa história diz respeito as denúncias feitas por diversos orgãos da imprensa ao rei e dono do futebol brasileiro presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) Ricardo Teixeira. No poder há mais de 25 anos, ele é o Executivo, Legislativo e o Judiciário (poderia até ser o Moderador) do futebol brasileiro. Como todo ditador empedernido no poder, as acusações contra Teixeira possui uma imensa lista de denúncias (não deixem de ver a entrevista do jornalista inglês Andrew Jennings no Bola da Vez da ESPN Brasil). Todos eles com um única e grande coincidência: nunca são noticiados pela Globo.

O fato abjeto ganha uma dimensão de ultraje e desrespeito pelos milhões de telespectadores em todo país. Se em outros tempos a informação tinha sua liberdade cerceada pela mão de ferro do estado, hoje em dia não é possível controlar isso. A internet com todas as possibilidades de comunicação transformou fundamentalmente essa relação. Ainda que menos de 20% da população brasileira tenha acesso constante a rede, o poder multiplicador do conteúdo que circula nas ondas virtuais acaba atingindo o cidadão das ruas.
Se a emissora, como um todo, subestima e negligencia sua audiência, individualmente muitos de seus funcionários reproduzem uma postura desrespeitosa e pedante para o público. Iniciada a poucos dias, a campanha do blogueiro Xico Malta vem tentando, em vão, obter algum posicionamento de executivos e colaboradores do grupo, em relação as declarações de Teixeira feitas para a Revista Piauí. Infelizmente as respostas obtidas até agora reforçam a imagem de subserviência - e por que não covardia de muitos profissionais - que maculam o jornalismo e suas próprias condutas éticas como cidadãos.

Mas nós da sociedade civíl também podemos fazer a nossa parte. Muitos criticam o “engajamento virtual” por ser pouco palpável, porém um assunto que consiga grande repercussão na net fatalmente se transforma em notícia na grande mídia. Como é uma ferramenta nova, o militantismo pela internet ainda apresenta algumas dificuldades, mas não tenho dúvidas que será a grande arena de discussão política social nos próximos anos.

Por isso a difusão da hashtag #FalaGlobo no Twitter pode ser muito importante para que esse silêncio constrangedor seja rompido. No blog do Xico você também encontra outras formas de contato com alguns jornalistas. A campanha também está no Facebook em que um simples “Curtir” já contribui. Uma mobilização como essa pode levar um tempo e a participação das pessoas é vital. É uma excelente chance de lembrar para aqueles que estão “cagando um monte para as denúncias” que o cadilhismo e a supressão de notícias pertencem ao passado do nosso país. Participem!

terça-feira, 12 de julho de 2011

Wikileaks: Diplomatas dos EUA se reuniram com mídia brasileira

Texto publicado em: FNDC

11/07/2011 |
Redação
Portal Vermelho

A estrutura diplomática dos Estados Unidos mantém-se permanentemente alerta para o comportamento da imprensa. Um dos centros das atenções, segundo mostram documentos vazados pelo Wikileaks, é a repercussão de questões relacionadas à política interna norte-americana, além de questões de relações bilaterais e temas relacionados a Israel.

Em meio a diversas análises do que sai na imprensa brasileira, há divagações curiosas. Em 23 de outubro de 2009, em meio à discussão de como a mídia se comporta, um despacho assinado pela conselheira diplomática Lisa Kubiske, tudo começa por elogios: "Os jornalistas brasileiros, falando genericamente, são profissionais, equilibrados e buscam objetividade".

A seguir, ela sustenta que muitos são "imparciais" no tratamento concedido aos EUA, ainda que não concordem pessoalmente com as políticas norte-americanas. "Alguns articulistas da mídia dominante demonstram viés contra as políticas dos EUA, embora a tendência tenha começado a mudar com a eleição do presidente (Barack) Obama", avalia.

A análise se aprofunda: "Um pequeno segmento do público brasileiro aceita a noção de que os EUA têm uma campanha para subjugar o Brasil economicamente, miná-lo culturalmente e ocupar com tropas pelo menos uma parte de seus territórios. Esse tipo de atitude e de crenças influenciam repórteres e comentaristas em questões como o retabelecimento da Quarta Frota da Marinha dos EUA (caracterizada como uma ameaça para o Brasil), supostamente por nefastas intenções em direção à Amazônia e à "Amazônia Azul" (mares onde novas reservas de petróleo foram encontradas) e mais recentemente o anúncio do acesso dos EUA a bases militares colombianas".

Há alguns despachos que relatam encontros de membros da imprensa com embaixadores, cônsules e funcionários da diplomacia.

RBS amiga
Em um telegrama de 2005, o então cônsul de São Paulo, Patrick Dennis Duddy, narra uma visita do então embaixador John Danilovich a Porto Alegre. A capital gaúcha contava com um consulado próprio, até 1997, quando passou a ter apenas uma agência consular. O embaixador teve três dias agitados, recheados de encontros com empresários e políticos.

Um dos pontos mais curiosos do relato diz respeito a uma entrevista concedida por Danilovich aos veículos da RBS. "O embaixador teve um almoço 'off the record' com a direção editorial do grupo RBS, o maior grupo regional de comunicação da América Latina".

Os números da empresa são apresentados no relato, com detalhamentos sobre operações no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, incluindo a afiliação à Rede Globo, as 120 estações de rádio em dez estados e o jornal Zero Hora. "O embaixador subsequentemente concedeu uma entrevista 'on the record' para o Zero Hora e para a rede de rádios."

O documento ainda frisa, em sequência, as relações política entremeadas ao grupo de comunicação. "Pedro Parente, que era chefe da Casa Civil do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), é vice-presidente executivo da RBS", aponta Duddy. Imediatamente a seguir, uma "nota" complementa a informação: "Nós temos tradicionamente tido acesso e relações excelentes com o grupo".

Estadão amigo
Um documento de março de 2005, vazado em fevereiro de 2011, relata um encontro entre o embaixador John Danilovich e líderes da comunidade judaica da capital paulista. A audiência — dois meses antes da Cúpula América do Sul-Países Árabes daquele ano, em Brasília — teve a presença de Abraham Goldstein, presidente da B’nai Brith do Brasil, e Henry Sobel, rabino chefe da maior sinagoga paulistana.

O relato da conversa transcorre no sentido de aprofundar laços com comunidade judaica, mas guarda notas sobre a mídia que passaram despercebidas na ocasião do vazamento, em dezembro do ano passado (o documento já foi publicado pelo Wikileaks).

Goldstein teria dito a Danilovich que possivelmente haveria uma campanha de imprensa para garantir os pontos de vista favoráveis a Israel e à comunidade de judeus no país. "Goldstein disse que enquanto o editor de O Estado de S.Paulo prometeu cobertura 'positiva', outros jornais de grande circulação são vistos como tendo inclinação pró-Palestina e não parecem ser de grande ajuda", redige o embaixador. Na "campanha" estudada, havia menção a buscar não judeus que pudessem criticar o governo brasileiro no que eles consideravam uma tendência anti-'sionista, centrada na figura do secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães.

Encontros com jornalistas
Nos despachos, além de muita leitura e fichamento de jornais, há relatos de reuniões esporádicas com profissionais de mídia. Carlos Eduardo Lins da Silva, ex-ombudsman da Folha de S.Paulo, participou de quatro encontros com diplomatas descritos nos documentos.

O primeiro, em abril de 2006, foi um encontro com Anthony Wayne, assistente do Departamento de Estado para assuntos econômicos que participava do Fórum Econômico Mundial América Latina. Durante o evento, sediado na capital paulista, Lins da Silva é apresentado como "ex-jornalista" e "consultor político". No encontro, ele teria afirmado acreditar na viabilidade de Geraldo Alckmin (PSDB) como candidato da oposição.

O segundo encontro ocorreu em 2008, quando Lins da Silva havia sido reconduzido ao posto de ombudsman da Folha.

O então senador do Nebraska, o republicano Chuck Hagel, teve um almoço em São Paulo com a participação de Celso Lafer, ministro de Relações Exteriores (1995-2002) da gestão Fernando Henrique Cardoso, Rubens Barbosa, embaixador brasileiro em Washington (1999 a 2004), Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda e ex-embaixador nos EUA e na OMC, e Sérgio Amaral, ex-ministro da Indústria (2001-2002). Mas o único participante sem elos com ministérios nem com o Itamaraty não tem nenhuma declaração citada.

Em novembro de 2008, ainda em seu segundo mandato como ouvidor da Folha, Lins da Silva é qualificado como "ex-editor sênior" do Valor Econômico. A reunião, no caso, foi com o cônsul-geral Thomas White a respeito dos planos de exploração dos campos de petróleo do Pré-Sal. O jornalista avaliava que a crise financeira atrasaria os prazos de extração dos poços do campo de Tupi.

Quando Arturo Valenzuela, secretário assistente para assuntos do hemisfério ocidental, passou pelo Cone Sul em 2010, Lins da Silva aparece novamente em um despacho diplomático. No mesmo encontro estavam o sociólogo Bolivar Lamounier, Lafer, Barbosa e José Goldemberg, ex-ministro de Ciência e Tecnologia e da Educação na década de 1990.

O ombudsman "destacou o vigor financeiro sem precedentes do PT [Partido dos Trabalhadores] para executar uma campanha, após oito anos no governo" que, em caso de derrota, produziria uma oposição "muito problemática".

Lamounier aparece em episódio anterior, ainda em 2007. Ele teria almoçado em 28 de setembro ao lado de Jose Augusto Guilhon de Albuquerque com funcionários da embaixada em São Paulo. Ambos são apresentados como acadêmicos "associados" ao PSDB. O blogueiro do site da revista Exame, da editora Abril, apostava que Lula não tentaria terceiro mandato e que a candidatura apoiada por ele levaria a melhor. Acertou.

E disse ainda que o presidente seguinte teria de buscar apoio do PMDB, em função de seu tamanho e peso. "O PMDB", avisou Lamounier, "é sempre o problema, nunca a solução, porque não tem nenhuma identidade política nem ideológica e existe com o único propósito de avançar em interesses pessoais para seus membros".

Waack
Quem também participou de almoços e encontros com funcionários do governo dos EUA foi o apresentador do Jornal da Globo, William Waack. O primeiro entre os citados foi em 28 de abril de 2008. Uma visita de jornalistas ao almirante Philip Cullom, que passava pelo Brasil para uma série de exercícios conjuntos entre as marinhas dos EUA, Brasil e Argentina.

De acordo com o relato do então embaixador Clifford Sobel, a visita de "membros da imprensa brasileira" resultou numa "cobertura positiva". Entre todos os jornalistas, apenas o apresentador do Jornal da Globo é nomeado, por ter "apresentado em duas reportagens para O Globo sobre a visita que reflete a importância da parceria dos EUA com o Brasil".

Outro encontro deu-se em setembro de 2009, com a presença de Sérgio Fausto, à época diretor do Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC). Nele, Waack trouxe a informação, que posteriormente se revelaria falsa, de que os então governadores de São Paulo, José Serra, e Minas Gerais, Aécio Neves, teriam acertado uma chapa-puro-sangue do PSDB para rivalizar com Dilma Rousseff.

O terceiro encontro foi com o atual embaixador, Thomas Shannon, em fevereiro de 2010. Waak teria dito que em um fórum com empresários, Aécio Neves teria se mostado "o mais carismático", Ciro Gomes "o mais forte", Serra "claramente competente" e Dilma "a menos coerente".

Em agosto de 2005, há menção a um encontro com oito jornalistas e comentaristas de jornais, revistas, TV e internet. Nenhum é mencionado, mas muitas teorias são listadas sobre o que se sucederia às denúncias de corrupção consagradas como o escândalo do "Mensalão".

Fernando Rodrigues, repórter especial de política da Folha e autor do blog UolPolítica, teve pelo menos duas conversas com o assessor político da embaixada dos EUA, segundo os documentos. Em ambos, foi procurado para dar a contextualização de questões relativas ao país: o funcionamento do Tribunal de Contas da União e o futuro de Aldo Rebelo (PCdoB-SP) caso perdesse a eleição para presidente da Câmara dos Deputados em 2007.

domingo, 10 de julho de 2011

Site colhe assinaturas contra projeto que empobrece formação de professores universitários

Texto publicado em: Brasil Atual


Projeto de lei aprovado na Comissão de Educação do Senado permite a contratação de professores sem pós-graduação para dar aulas em faculdades

Por: Cida de Oliveira, Rede Brasil Atual


São Paulo – Está na internet um abaixo-assinado contra o Projeto de Lei do Senado 220/2010, que dispensa a necessidade de pós-graduação na formação de docentes para o ensino superior. Para aderir à causa, basta acessar o site a petição on line. O manifesto pretende pressionar o Congresso a rejeitar o PLS.

Sem fazer alarde, a Comissão de Educação do Senado aprovou, no começo de junho, o substitutivo, apresentado em agosto de 2010 pela Comissão de Infraestrutura do Senado, que permitia a contratação de graduados com "relevante experiência profissional" em cursos nas áreas tecnológicas e de infraestrutura.

O texto altera o artigo 66 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que determina que a preparação para o exercício do magistério superior deverá ser feita em nível de pós-graduação, prioritariamente em programas de mestrado e doutorado. Se o projeto for aprovado, passará a ser legal a contratação temporária de professores apenas graduados ou especialistas em instituições de ensino superior (IES) pública ou privada.

Segundo nota da Federação dos Professores do Estado de São Paulo, o PL 220 representa um retrocesso em todos os aspectos e merece ser rejeitado nas demais etapas de tramitação. Para a entidade, "os empresários do ensino privado, que nunca dormem no ponto, viram na proposta uma grande oportunidade para flexibilizar as regras de contratação em todos os cursos da rede privada. Para tanto, tiveram o apoio do senador Álvaro Dias (PSDB/PR), relator da proposta na Comissão de Educação. Generoso, o parlamentar manteve a possibilidade de contratar graduados, suprimiu a "relevante experiência profissional" e ainda estendeu a flexibilização para todos os cursos.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A dominância financeira

Texto publicado em: Carta Maior

a mídia depende de verbas publicitárias, que vêm do mercado financeiro e os bancos são importantes financiadores de políticos nas campanhas eleitorais, obtendo força nas decisões políticas de seus interesses. Eles têm equipes de economistas em seus quadros e de consultorias para defenderem posições que lhes interessam. O resultado é que são raras as oportunidades de expressão de posições divergentes em relação ao que poderia chamar de pensamento único na economia. O artigo é de Amir Khair.

Amir Khair

Se existe um problema grave na economia brasileira, ela se chama taxa de juros. Existem duas taxas de juros distintas no Brasil. A Selic, que é a taxa básica de juros definida pelo governo, e a taxa de juros cobrada pelos bancos aos seus clientes (empresas e pessoas).

A diferença entre elas é denominada de spread bancário, considerado o Brasil, em vários estudos internacionais, como tendo o spread mais elevado do mundo há muitos anos. É a principal fonte do lucro dos bancos, sem a interferência do governo, que têm os instrumentos legais para regular esses exageros, o que evidencia a gravidade do problema e sua subserviência ao mercado financeiro.

A Selic é a mais alta do mundo, também há vários anos. Assim, essas duas taxas apresentam a maior aberração e trava macroeconômica, que tem impedido que o Brasil avance na economia de forma saudável, pois as taxas de juros elevam em excesso as despesas do governo, das empresas e dos consumidores e, o que é mais grave, com o apoio da maioria dos economistas, que têm espaço na mídia, defendendo que as taxas de juros têm que ser elevadas para controlar a inflação.

Não é de se estranhar isso, pois a mídia depende de verbas publicitárias, que vêm do mercado financeiro e os bancos são importantes financiadores de políticos nas campanhas eleitorais, obtendo força nas decisões políticas de seus interesses. Eles têm equipes de economistas em seus quadros e de consultorias para defenderem posições que lhes interessam. O resultado é que são raras as oportunidades de expressão de posições divergentes em relação ao que poderia chamar de pensamento único na economia.

O fato é que o Brasil convive com essas taxas de juros, quando países de economia semelhante à nossa têm taxas muito inferiores e com inflação igual ou menor que a nossa.

A principal explicação para essas anomalias é a submissão do governo ao mercado financeiro. A presidente Dilma começou bem, dando a diretriz de redução da Selic até 2014, para 2%, excluída a inflação. É uma meta tímida e demorada, que não vai ajudar a resolver logo essa questão. A meta de 2% é elevada em relação aos níveis dos países emergentes que estão negativas em 0,5% atualmente. Sobre o spread o governo não se pronunciou determinando limites, tendo poder para isso.

O Brasil tem taxa básica de juros real de 6,8%, mais de quatro vezes (!) o segundo colocado em pior posição, que é o Chile com 1,5%. A média dos 40 países da amostra deu negativa de 0,9%.

A Selic é definida pelos diretores do Banco Central, em reuniões a cada seis semanas, no Comitê de Política Monetária (Copom). O Banco Central (BC) consulta semanalmente as instituições do mercado financeiro, divulgando-as no boletim Focus, para saber que estimativas fazem essas instituições sobre a inflação para o ano em curso, os próximos doze meses e para o ano seguinte.

Essas instituições informam a decisão que esperam seja tomada pelo Copom em relação à Selic nas próximas reuniões até o final do ano seguinte.

O Focus é apresentado pela mídia como sendo as previsões do mercado para a inflação, Selic, crescimento econômico, taxa de câmbio e produção industrial. Tem a finalidade de orientar as expectativas dos agentes econômicos. Mas orientar expectativas é de suma importância e, para isso, pressupõe a escolha de uma amostra representativa do mercado. No caso o mercado financeiro representa apenas 7% (!) do mercado, e tem interesse na elevação da Selic.

O problema é que a mídia divulga essas expectativas como sendo do mercado, e com isso acaba orientando os agentes econômicos (empresas e pessoas) em suas decisões sobre inflação, crescimento, etc.

Várias vezes o BC foi questionado por usar uma amostra não representativa das previsões do mercado, mas não mudou, o que é estranho e danoso. Faz o contrário do que é feito internacionalmente pelos bancos centrais e governos que se preocupam com a credibilidade e orientação adequada das expectativas dos agentes econômicos.

Fato mais grave é que o Copom acaba definindo a Selic, que é indicada pelo mercado financeiro em praticamente 100% das vezes, ou seja, só serve para referendar uma Selic elevada. Quanto mais elevada, melhor, pois sai daí parcela importante dos lucros obtidos com prejuízos equivalentes do único devedor da Selic, o governo federal. Esse prejuízo em última instância sai do bolso do contribuinte através dos tributos que paga.

Esse prejuízo atingiu nos últimos doze meses até maio, R$ 220 bilhões ou 5,7% do PIB, quando no mundo esse custo é de 1,8% do PIB. A perda de 3,9% do PIB (5,7 menos 1,8) é injustificável, pois é possível controlar a inflação nos demais países com taxas básicas de juros bem inferiores às aqui aplicadas.

Esse prejuízo será ainda maior até o final deste e do próximo ano, caso o Copom continue seguindo as previsões da Selic do mercado financeiro em suas reuniões. A dívida do setor público irá continuar subindo pelos juros crescentes e pelas injustificadas transferências por parte do Tesouro de novos R$ 55 bilhões ao BNDES. Esse valor foi obtido com a emissão de novos títulos que pagam juros Selic.

Assim, não sobram recursos para o governo expandir suas atividades nas áreas estratégicas da saúde, educação, assistência social, previdência, segurança pública, habitação, investimentos em equipamentos para a expansão dessas atividades e para a infraestrutura do País.

A gravidade dessa situação é que ela vem de longa data, e já foi pior, pois após o Plano Real, as despesas com juros atingiram a média de 8,6% do PIB no governo FHC (1995 a 2002) e de 6,2% no governo Lula (2003 a 2010). A média dos 16 anos (1995 a 2010) foi de 7,8% (!) Em valores atualizados pelo IPCA os juros atingiram nesses 16 anos R$ 3,7 trilhões (!) Caso não tivesse trilhado esse caminho suicida, o País seria outro, com situação fiscal equilibrada, e recursos suficientes para reduzir o elevado déficit social e de infraestrutura existente.

A consequência dessa política monetária, com a benção do governo, é que ele fica obrigado a obter resultados primários (receitas menos despesas, exclusive juros) elevados para pagar apenas parte dos juros, resultando em déficits fiscais, que obrigam a emitir mais títulos de dívida. É uma bola de neve crescente para as finanças públicas, que continuará a rolar ladeira abaixo caso não caia rapidamente a Selic.

Agravantes da Selic com a crise de 2008
Com a crise de 2008, os países desenvolvidos emitiram vários trilhões de dólares, euros e ienes para socorrer seus bancos que estavam em situação falimentar e a maior parte dessas emissões com taxas de juros próximas a zero foram em busca de aplicações em outros países que ofertavam taxas de juros mais elevadas, e o Brasil é o preferido dessa dinheirama que vem para cá, lucrando e repatriando esses lucros, que saem do Tesouro Nacional, ou seja, dos contribuintes brasileiros que pagam tributos ao governo federal.

Assim, o BC dá de presente aos capitais internacionais quantias elevadas de recursos, que irão faltar para serem usados no País.

Existem outros danos causados pelo BC, pois é ele que detém as reservas internacionais em dólares do País, que já ultrapassaram a US$ 333 bilhões em maio e continuam subindo com velocidade. Essas reservas custam aos cofres públicos juros equivalentes à Selic e são aplicadas, especialmente, em títulos do Tesouro americano que não rendem praticamente nada e são penalizadas pela queda do dólar face ao real durante todo o período de existência das reservas.

Em 2010 o BC causou um rombo de R$ 50 bilhões com essa política suicida e, neste ano como as reservas cresceram muito mais do que em 2010, e a Selic média será mais elevada do que em 2010, estima-se que o rombo causado pelo carregamento dessas reservas poderá ultrapassar R$ 70 bilhões (!). Se continuar elevando essas reservas, sem reduzir a Selic no próximo ano, como prevê o mercado financeiro, esse rombo em 2012 poderá chegar a R$ 90 bilhões (!)

Mas os danos causados por essa Selic não param por aí. Como dissemos, a dinheirama espalhada pelo mundo pelos países desenvolvidos são atraídos para o Brasil devido à Selic elevada, sem correr riscos e podendo repatriar os lucros rapidamente (alta liquidez). O ganho desses capitais é ainda maior do que só com os juros. Em junho de 2010, cada dólar valia R$ 1,81 e agora R$ 1,55 (dia 4/7). Ganham, pois duplamente: nos juros e na valorização do real.

Com a valorização do real, que não para, as importações ficaram mais baratas e substituíram produtos fabricados no País, gerando desempregos aqui e criando empregos lá fora. Os consumidores saem ganhando nessa situação por terem mais escolhas nos produtos, que apresentam qualidade similar ao produzido aqui e com preços inferiores.

As exportações foram, também, prejudicadas, pois ficaram mais caros os produtos fabricados aqui no confronto com os produtos similares de outros países. Mas é importante considerar se o desemprego gerado não irá causar redução do consumo. Já criou rombos nas contas externas desde 2008.

Diante dessas realidades não resta ao governo alternativa se não enfrentar a dominância financeira, que vem travando o desenvolvimento econômico e social do País. Não se trata de problema técnico ou econômico, mas de decisão política e, para isso, é necessário afrontar os interesses impostos pelo mercado financeiro. O governo até agora não demonstrou disposição nesse sentido.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Professora que fez discurso em RN recusa prêmio de empresários

Texto publicado em: Blog da Amanda

Porque não aceitei o prêmio do PNBE

Oi,
Nesta segunda,o Pensamento Nacional de Bases Empresariais (PNBE) vai entregar o prêmio "Brasileiros de Valor 2011". O júri me escolheu, mas, depois de analisar um pouco, decidi recusar o prêmio.
Mandei essa carta aí embaixo para a organização, agradecendo e expondo os motivos pelos quais não iria receber a premiação. Minha luta é outra.
Espero que a carta sirva para debatermos a privatização do ensino e o papel de organizações e campanhas que se dizem "amigas da escola".
Amanda




Natal, 2 de julho de 2011

Prezado júri do 19º Prêmio PNBE,

Recebi comunicado notificando que este júri decidiu conferir-me o prêmio de 2011 na categoria Educador de Valor, “pela relevante posição a favor da dignidade humana e o amor a educação”. A premiação é importante reconhecimento do movimento reivindicativo dos professores, de seu papel central no processo educativo e na vida de nosso país. A dramática situação na qual se encontra hoje a escola brasileira tem acarretado uma inédita desvalorização do trabalho docente. Os salários aviltantes, as péssimas condições de trabalho, as absurdas exigências por parte das secretarias e do Ministério da Educação fazem com que seja cada vez maior o número de professores talentosos que após um curto e angustiante período de exercício da docência exonera-se em busca de melhores condições de vida e trabalho.

Embora exista desde 1994 esta é a primeira vez que esse prêmio é destinado a uma professora comprometida com o movimento reivindicativo de sua categoria. Evidenciando suas prioridades, esse mesmo prêmio foi antes de mim destinado à Fundação Bradesco, à Fundação Victor Civita (editora Abril), ao Canal Futura (mantido pela Rede Globo) e a empresários da educação. Em categorias diferentes também foram agraciadas com ele corporações como Banco Itaú, Embraer, Natura Cosméticos, McDonald's, Brasil Telecon e Casas Bahia, bem como a políticos tradicionais como Fernando Henrique Cardoso, Pedro Simon, Gabriel Chalita e Marina Silva.

A minha luta é muito diferente dessas instituições, empresas e personalidades. Minha luta é igual a de milhares de professores da rede pública. É um combate pelo ensino público, gratuito e de qualidade, pela valorização do trabalho docente e para que 10% do Produto Interno Bruto seja destinado imediatamente para a educação. Os pressupostos dessa luta são diametralmente diferentes daqueles que norteiam o PNBE. Entidade empresarial fundada no final da década de 1980, esta manteve sempre seu compromisso com a economia de mercado. Assim como o movimento dos professores sou contrária à mercantilização do ensino e ao modelo empreendedorista defendido pelo PNBE. A educação não é uma mercadoria, mas um direito inalienável de todo ser humano. Ela não é uma atividade que possa ser gerenciada por meio de um modelo empresarial, mas um bem público que deve ser administrado de modo eficiente e sem perder de vista sua finalidade.

Oponho-me à privatização da educação, às parcerias empresa-escola e às chamadas “organizações da sociedade civil de interesse público” (Oscips), utilizadas para desobrigar o Estado de seu dever para com o ensino público. Defendo que 10% do PIB seja destinado exclusivamente para instituições educacionais estatais e gratuitas. Não quero que nenhum centavo seja dirigido para organizações que se autodenominam amigas ou parceiras da escola, mas que encaram estas apenas como uma oportunidade de marketing ou, simplesmente, de negócios e desoneração fiscal.

Por essa razão, não posso aceitar esse Prêmio. Aceitá-lo significaria renunciar a tudo por que tenho lutado desde 2001, quando ingressei em uma Universidade pública, que era gradativamente privatizada, muito embora somente dez anos depois, por força da internet, a minha voz tenha sido ouvida, ecoando a voz de milhões de trabalhadores e estudantes do Brasil inteiro que hoje compartilham comigo suas angústias históricas. Prefiro, então, recusá-lo e ficar com meus ideais, ao lado de meus companheiros e longe dos empresários da educação.

Saudações,

Professora Amanda Gurgel

15 milhões de pessoas correm risco de fome na Europa

Texto publicado em: Carta Maior

Um regulamento aprovado pela Comissão Europeia corta 80% da ajuda alimentar para os pobres. A Federação Europeia dos Bancos Alimentares apela ao Conselho Europeu. Apelo foi apoiado por Conselho Internacional Geral de São Vicente de Paulo, Comunidade de Santo Egídio e Caritas Italiana. De acordo com as estatísticas europeias, 43 milhões de pessoas estão em risco de pobreza alimentar, ou seja não podem pagar uma refeição adequada a cada dois dias.

Esquerda.net

A Comissão Europeia aprovou no dia 10 de junho o Regulamento 562/2011, que reduz o programa europeu de ajuda alimentar de 500 milhões de euros para 113 milhões, um corte de 77,4%. A Federação Europeia dos Bancos Alimentares (FEBA) lançou um apelo ao Conselho Europeu de ministros da Agricultura a que chegue a um acordo sobre novas formas de financiamento.

Segundo a FEBA, em 2010 a sua rede “cobriu 40% dos alimentos fornecidos pelo Programa Europeu. Os 240 bancos alimentares distribuíram 360 mil toneladas de alimentos para associações caritativas e serviços sociais em 21 países europeus. Por sua vez, as organizações de caridade distribuíram alimentos para pessoas indigentes, tais como pacotes ou refeições. 51% desses suprimentos vieram do Programa Europeu, a outra parte de doações de empresas e colectas locais. Se nada for feito, esta decisão levará a uma grave crise”.

A FEBA lembra em comunicado que, de acordo com as estatísticas europeias, 43 milhões de pessoas estão em risco de pobreza alimentar, ou seja não podem pagar uma refeição adequada a cada dois dias.

A FEBA salientando que “o alimento é a base da vida e é um direito humano fundamental”, refere que “a aplicação desta decisão poderá reforçar a percepção de uma Europa tecnocrática que não se preocupa com o destino das pessoas”.

sábado, 2 de julho de 2011

Governo do Distrito Federal quer de volta R$ 9 mi gastos em jogo da seleção brasileira de futebol

Você gostaria de organizar um jogo da seleção brasileira de futebol sem gastar nenhum tostão e ainda ganhar R$ 9 milhões de reais? Ricardo Teixeira sim, e pior, fez isso.
Confira abaixo matéria da TV Record