domingo, 22 de agosto de 2010

BNDES destina R$ 4 bilhões à mídia

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...Texto publicado em: Observatório da Imprensa --
Matéria do Estado de S. Paulo --

O programa de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para as empresas de mídia eletrônica e mídia impressa terá até R$ 4 bilhões, informou o vice-presidente do banco, Darc Costa. Ainda não há uma versão definitiva, mas já estão acertadas as três linhas mestras do programa: apoio aos investimentos, financiamento para compra de papel para mídia impressa e apoio à reestruturação financeira. O setor, de acordo com levantamento preliminar do banco, acumula dívida de R$ 10 bilhões, dos quais R$ 6 bilhões são das organizações Globo, o que provocou polêmica entre os participantes do debate, ontem, na Comissão de Educação do Senado.

‘O recurso só será liberado se tiver bons projetos. O setor é de interesse nacional, mas, para que nós possamos apoiar, temos de ter bons projetos’, alertou Darc Costa. Ele lembrou que o pedido de apoio à mídia, apresentado pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) e pela Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner), foi apenas o ponto de partida do projeto. A fase final resultará de estudos e consultas do próprio banco.

No debate de ontem, as emissoras de televisão mostraram-se divididas em relação à proposta de financiamento em exame. Os representantes da Rede Globo e da TV Bandeirantes a defenderam, mas os dirigentes do SBT, da Rede TV e da Record criticaram. O presidente do SBT, Luiz Sandoval, disse que todo o setor necessita do financiamento, mas acha que ele deve ser dirigido para investimento e não para o pagamento de dívidas passadas.

‘O BNDES tem de ser um banco de fomento para estimular investimento’, disse Sandoval, que acusou a operação de estar dirigida ao financiamento da dívida da Globo, resultante das operações com TV a cabo, e acrescentou que o grupo não precisa dessa ajuda, já que teria obtido lucro expressivo em 2003. ‘Uma empresa que tem lucro de R$ 600 milhões não precisa de ajuda financeira.’

Para o presidente da TV Record, Denis Munhoz, ‘é necessário buscar a origem do endividamento, pois seu tamanho é proporcional à prática monopolista’.

Outro crítico da proposta foi o presidente da Rede TV, Marcelo Carvalho Fragalli. ‘O dinheiro deveria servir para comprar equipamentos, para produzir conteúdo e para construir cenários’, disse. Segundo ele, a Globo detém 80% das verbas publicitárias, mas apenas 50% da audiência, um descompasso que dificulta os investimentos das demais emissoras.

Defesa - Na defesa da proposta, o vice-presidente do banco lembrou que ‘pagamento de dívida é também crédito; crédito existe para investir ou para reestruturar as empresas’. Darc Costa informou que as linhas destinadas à reestruturação de dívidas serão mais caras do que as destinadas a investimentos. Nenhuma operação será feita diretamente pelo banco, informou: todos os recursos serão repassados por agentes financeiros.

‘As emissoras devem ter independência do governo.’

O vice-presidente de Relações Institucionais da Globo, Evandro Guimarães, negou que o grupo pretenda usar o financiamento nas dívidas. Disse que o endividamento será quitado com as atividades do grupo.

Para o presidente da Rede Bandeirantes, João Carlos Saad, os recursos devem ser usados pelas empresas de acordo com suas necessidades, entre elas o pagamento de dívidas. E ressaltou que os financiamentos serão concedidos mediante condições, incluindo regras de propriedade cruzada de meios de comunicação, realização de auditorias, geração de resultados e ausência de reclamações no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)."

0 comentários: